O Candomblé é uma religião
cultural politeísta que tem como base as divindades citadas de Òriṣás (Orixás),
Vòóduns (Voduns) e Nkises (Inkisses) todas essas divindades relacionadas a
uma forma ou elemento natural pertencente ao nosso meio de vida na Terra.
O culto vem da união de vários elementos, formas, cores,
sons, biomas e os animais sagrados, desta forma unindo uma só energia cósmica elementar
para a vida da Religião de Matriz Africana.
Para a sustentação do culto, iniciação de adeptos, ofertas
de oferendas e eventos festivos, tem-se como foco primordial os elementos da
natureza tais como: os rios doces, a costa marítima, os pantanais ou mangues,
as florestas ou folhas e montanhas ou serras.
Como o planeta Terra vive em
vias de crise ambiental, imagina-se o desaparecimento total de recursos
naturais na esfera terrestre, deste modo cultos como o Candomblé seriam
atingidos inteiramente.
Deste modo, a sociedade civil organizada, as instituições
ambientalistas, os povos tradicionais e governos contém a missão de promover e elaborar
a política de preservação de espaços destinados às práticas e cultos
tradicionais, desde a extração de matéria prima, a cultivo, cultos públicos, despachos
de oferendas e por fim a conservação permanente da unidade.
Sabemos que essa visão é bastante polêmica e elevada, com
necessidades de mobilização a nível nacional e elaboração de leis que
demorarias uma eternidade política.
Para que os Povos Tradicionais de Terreiros possam ter
espaços destinados às práticas culturais religiosas ou litúrgicas os mesmo devem
promover, nutrir, manter e exercitar o movimento ambientalista dentro e em
torno de suas comunidades.
Tais movimentos ocorrer na própria
comunidade, como a Educação Ambiental, a reutilização de materiais não orgânicos
(reciclagem), utilização de matérias biodegradáveis, economia de água, despacha
apenas matérias orgânicos no meio natural e uma serie de práticas e costumes
que elevariam a vida social desta comunidade para um lado mais saudável e afortunado.
Se uma comunidade necessita de elementos naturais para a
sua manutenção e a mesma quem tem que mobiliza-se para a preservação de espaços
naturais ou de elementos naturais.
Deste modo, sabe-se que não tem como ter culto a Òṣúm
(Oxum) deusas das águas doces, com uma coleção de rios poluídos. Será que Òṣúm
(Oxum) receberia uma oferenda em rios super poluídos? Com peixes mortos e esgotos
a céu aberto?
Nos rituais de iniciação às folhas sagradas é algo extremamente
obrigatório. Sem a preservação ou sustentabilidade de espécies de flora teriam o
culto?
As Comunidades Tradicionais de Terreiro dentro de suas dependências
necessitam aperfeiçoar um local para cultivo e manejo de espécies de flora
utilizadas no culto. Já ganha-se um bom empenho na preservação e sustentabilidade
do natural.
Outro aspecto marcante para
as atitudes ecológicas destas comunidades é a utilização de materiais biodegradáveis
para a realização de suas oferendas, que os titulam de Égbó (Ebó). Ou no
momento da entrega do material, depositarem apenas os itens orgânicos e
retornando para a comunidade com os itens não orgânicos, como garrafas de
vidros, pratos, sacolas plásticas etc.
Para que as Religiões de Matrizes Africanas possam ter
acesso aos bens naturais, bens esses tão importantes para a adoração e louvação
das divindades, as mesmas devem priorizar o zelo pela natureza que é
fundamental para a cautela da vida no planeta.
Natal, 01 de agosto de 2012.
Égbòmé Cleyton Araújo
Professor Pedagogo –
Ambientalista.


Nenhum comentário:
Postar um comentário