segunda-feira, 4 de abril de 2016

A solidão e falta de esperança do preto gay.

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Desde cedo, eu nunca tive muitas figuras de preto gay para me representar ou para me contemplar na minha vida, eu tive sempre que me contentar com alguns amigos "héteros" que em um futuro próximo se aceitaram como bissexuais. E assim por sorte do destino, dei início a meios relacionamentos que eram bem escassos.

Tenho certeza que muitos pretos já sentiram na pele como é ser deixado como segunda, terceira ou até mesmo não ser a opção de outros garotos, porque segundo eles "você não faz o tipo dele". Eu lembro que toda vez que eu ia pra algumas festas, eu sempre acabava "segurando vela", enquanto isso, todos meus amigos brancos estavam se pegando com várias pessoas. E é claro que eu ficava chateado por não me sentir desejado, passava hora em frente ao espelho desejando que meu nariz fosse menor, que minha boca fosse mais fina, que meu cabelo fosse mais liso, que minha pele fosse mais clara, pois sabia que só assim aquelas pessoas do meu meio iriam me desejar.

E eu te pergunto o que é esse tal do "gosto pessoal". Por que seu "gosto pessoal" é sempre o cara musculoso, branco e com traços finos? Você já se perguntou o por que disso? Eu te respondo. Gosto é construção social. A sociedade molda o seu "gosto" todos os dias na televisão, nos filmes, nas revistas e você acredita que sempre gostou daquilo que te "atrai". Não me surpreende ver meus amigos se apaixonarem por garotos iguais aos da Colírio da Capricho e dando fora nos demais que não atendem por aquele padrão estabelecido.

Outra coisa, nós pretos não podemos ter o privilégio de ter um amorafrocentrado, porque sempre outro preto com um jeito mais masculino que o nosso está lá bancando o palmiteiro e namorando uma pessoa branca. E exibe ele como se fosse seu maior prêmio, sinal de status ou qualquer outra bobeira que foi criada por essa sociedade porca. Ele se submete a ser tratado como um pênis ambulante para poder ter alguém. E no fundo, isso é triste.

E é nesse vai e volta de "gosto pessoal" que os pretos estão lá sozinhos, procurando defeitos neles mesmos, com sua auto-estima totalmente destruída, porque nunca se sentem bons suficientes para alguém e quando se sentem bem consigo mesmo, nós ouvimos vários "você não é isso tudo", "baixa essa bola aí que você não é bonito". Só somos procurados por curiosidade e para sermos hipersexualizados pelo gay padrão que quer transar com a gente, porque negros tem pênis grande e é "quente na cama". Não somos objetos para os prazeres imundos de vocês. E se vocês acham que nosso pau é grande, é porque vocês não viram o tamanho do nosso ódio.

Eu sou inteligente, sou engraçado, companheiro e até bonito. Então, por que os outros não me vêem com os mesmo olhos que eu me vejo? Não importa a porcentagem que nós bichas negras sejamos interessantes, nós sempre vamos ficar como segunda opção por causa daquela gay branco que nem é tão interessante assim, mas é padrão. Vocês entendem que nós negros estamos sempre tendo que provar que somos bons suficientes para algo ou para alguém? E já perceberam que temos que ser 400 vezes melhor que um branco que é 100 vezes ruim em algo para sermos notados?

A verdade é que ninguém quer a bicha negra. Só se for pra uma transa casual, bem escondida, discreta, no escuro pra ninguém ver. E a desculpa é sempre a mesma: "Eu não quero um relacionamento sério no momento", mas no outro dia, nós vemos que ele entrou em um relacionamento com fulaninho padrãozinho da silva. Além disso, sempre somos feitos de pombo correio entre o boyzinho e nosso amigo padrão.

Nós bichas pretas lutamos contra racismo, homofobia, hipersexualização e uma porrada de outros preconceitos pessoais que cada um sofre, nós nos sentimos um lixo, um monstro e ainda assim temos que arrumar tempo para nos amar e levantar nossa auto-estima. Porque não existe nada pior que uma bicha preta solitária que não se ama, né? Ah, dá um tempo branco! É muito fácil vocês falarem isso, vocês sempre foram amados e tratados como deuses.

Se sentir assim é muito frustrante, triste e doloroso, mas há algo que me incomoda muito mais e é ouvir pessoas brancas falando de solidão. Esse tipo de pessoa está há dois dias sem beijar ou levou um fora de outro gay padrão de 700 curtidas no instagram e fala de se sentir solitário e etc. Vocês não sabem o que é isso, e provalvemente é bem possível que nunca saibam. Parem de desfazer do sofrimento alheio. Azaração, pegação e mil namoros é coisa de gente branca.

O empoderamento negro é uma luta árdua e diária. É muito mais que apenas narcisismo, é resistência, é afronte, é cultivar um amor que nunca foi lhe oferecido. Não reclame daquele negro que posta foto todo dia, daquela garota que anda de nariz em pé e "se acha o ultimo biscoito do pacote". E como diz meus amigos brancos, nós não somos isso tudo. E é verdade. NÓS SOMOS MUITO MAIS. SOMOS FABULOSOS E MARAVILHOSOS!

Esse texto vai para todos amigos negros que se sentem assim da mesma forma. Não estou mendigando afeto de ninguém, mas sim, abrindo seus olhos sobre o quanto a questão do gosto pessoal machuca, o quanto nos sentimos inferiores e menosprezados. Esse texto é para nos empoderar, é para todos meus irmãos que se sentem da mesma forma. Coloquem seus turbantes, armem seus crespos, sorriam e seguimos em frente. Força para todos nós!

 E como diz meu amigo Ezio: Beije seu preto em praça pública!


*Afrocentrado: Relacionamento entre duas pessoas negras.

*Palmiteiro: Homem negro que se relaciona com pessoas brancas por status, como se fosse um prêmio e acaba menosprezando pessoas negras. 

FONTE: http://turbantei.tumblr.com/post/130157678369/a-solid%C3%A3o-e-falta-de-esperan%C3%A7a-do-preto-gay

sexta-feira, 25 de março de 2016

ONU Mulheres condena violência sexista praticada contra Dilma

A nota aponta ainda preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito

25/03/2016

Por Mariana Tokarnia

Da Agência Brasil

A ONU Mulheres Brasil divulgou nessa quinta-feira (24) uma nota na qual condena a violência de ordem sexista que vem sendo praticada contra a presidenta Dilma Rousseff. "Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero", diz o comunicado, assinado pela representante da entidade, Nadine Gasman.

Dilma é a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil. Por questões políticas, têm sido vítima de xingamentos sexistas, de depreciação da figura da mulher e outras violências que a atacam enquanto mulher. Mensagens com esses tipos xingamentos, algumas bastante agressivas, ofensivas e com palavras de baixo calão, são vistas em cartazes e ouvidas durante protestos contra a petista.

A nota diz que a ONU Mulheres observa "com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito" e destaca ainda que, nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. "São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa", diz.

Leia a nota na íntegra:

"A ONU Mulheres observa com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito.

Aos poderes da República, a ONU Mulheres conclama a preservação da legalidade, como condição máxima das garantias estabelecidas na Constituição Federal de 1988 e nos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede serenidade nas manifestações e não-violência frente aos debates públicos necessários para a condução democrática dos rumos políticos do país. O debate saudável entre opiniões divergentes deve ser parte intrínseca da prática cidadã em uma democracia.

Nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa.

Como defensora dos direitos de mulheres e meninas no mundo, a ONU Mulheres condena todas as formas de violência contra as mulheres, inclusive a violência política de ordem sexista contra a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero – prática patriarcal e misógina que invalida a dignidade humana.

Que o legado da democracia brasileira, considerado referência no mundo e especialmente na América Latina e Caribe, seja guia para as soluções da crise política. 

Nadine Gasman

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem igualdade racial não há democracia

O Brasil é um país de resultados. Nestes 13 anos, as políticas de promoção da igualdade racial promoveram avanços para a população negra brasileira. A redução da pobreza, a ampliação do acesso à universidade e ao mercado de trabalho, a implementação de políticas públicas específicas voltadas para comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas e ciganas, além do reforço de mecanismos de denúncia do racismo são alguns exemplos de programas e ações bem sucedidos.

De 2003 a 2014, a situação de extrema pobreza que atinge a população negra reduziu quase 72%. Programas como o Bolsa Família, contam com 73% dos beneficiários negros, dos quais 68% são de famílias chefiadas por mulheres – destaca-se que no total do programa as mulheres representam 93% dos beneficiários. O acesso à moradia também foi ampliado para os negros: entre os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, 71% são negros. E entre os beneficiários do Pronatec, Programa de Educação Profissional e Tecnológica criado pelo governo brasileiro, 68% são pretos e pardos.

No campo, mais de 166 mil famílias chefiadas por negros hoje recebem apoio governamental para ampliar a produção agrícola e melhorar a renda. Além disso, famílias negras se beneficiaram de 66% das cisternas implantadas para captação pluvial para consumo humano, e de 84% das cisternas para irrigação.

Entre os anos de 2005 e 2015, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou 208 Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID) de terras quilombolas. No mesmo período, foram publicadas 107 portarias de reconhecimento dessas comunidades; 77 Decretos de desapropriação; e 29 títulos de propriedade, contemplando cerca de 28 mil famílias em todo o país.

política afirmativa de cotas, estabelecida pela Lei n° 12.711/2012, garantiu o acesso ao ensino superior à aproximadamente 150 mil estudantes negros em todo o país. As universidades públicas federais e os institutos federais de educação superior ganharam em diversidade e em qualidade, com destaque para as boas notas dos alunos cotistas e o baixo índice de desistência dos cursos frequentados por estes alunos.

A partir da vigência da Lei n° 12.990/2014, que prevê a reserva de 20% das vagas em concursos públicos federais para pessoas que se autodeclarem pretas ou pardas, mais de 3.000 pessoas pretas e pardas ingressaram no serviço público, como constatou monitoramento realizado até dezembro de 2015. Uma mudança estrutural no perfil étnico-racial da administração pública federal está em curso. Além disso, a lei tem motivado a criação de legislações semelhantes em âmbito estadual e municipal.

No campo da institucionalização da política, o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) promove a sinergia e o compartilhamento de responsabilidades e competências entre o Governo federal, os estados, os municípios e o DF. Já são mais de 300 instâncias de promoção da igualdade racial em todo o país (entre órgãos e conselhos). O Sinapir democratiza o acesso aos recursos públicos federais, priorizando projetos apresentados pelos entes que já aderiram voluntariamente ao sistema, e reforça a articulação federativa.

Os avanços na institucionalização também são refletidos numa maior articulação institucional que tem como exemplo principal o Plano Plurianual de Governo, que não apenas dedica um programa específico para essa política, demonstrando a sua importância estratégica para o Governo federal, como promove uma integração de objetivos e ações nos diversos Ministérios visando a promoção da igualdade racial e a superação do racismo.

Essas articulações visam a garantia de direitos e a ampliação de serviços aos cidadãos e cidadãs. A partir de dezembro de 2015, as denúncias de violações contra a juventude negra, mulher negra ou população negra em geral, e contra comunidades quilombolas, de terreiros, ciganas e religiões de matriz africana contam com um canal de comunicação disponível 24h por dia e gratuito, que é o Disque 100. Esse serviço foi ampliado e agora possui dois novos módulos específicos para as denúncias raciais. Agora, o Disque Direitos Humanos é também o Disque 100 racismo.

Esses resultados evidenciam conquistas na luta contra o racismo, mas também desafios. O dia 21 de março – Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial – resgata a memória e reforça a atualidade da luta contra a discriminação racial e contra uma política de invisibilização e exclusão extrema da população negra. Apesar dos avanços contabilizados, muito ainda há que se fazer para garantir maior participação social e cidadania efetiva às negras e aos negros de nosso país. É longo o caminho para superar o racismo enquanto desigualdade estrutural.

O avanço da política de promoção da igualdade racial sinaliza inequivocamente o quanto a democracia brasileira tem se fortalecido, e pode se fortalecer, em diversidade e legitimidade, a partir do reconhecimento e da inclusão de outros sujeitos históricos de direitos.

O Governo Federal continuará investindo nas políticas de promoção da igualdade racial, que já demonstraram serem capazes de impulsionar as bases da construção de uma igualdade necessária ao pleno desenvolvimento do nosso país. Afinal, sem igualdade racial não há democracia.


Por: *Nilma Lino Gomes e **Ronaldo Barros. 


*Nilma Lino Gomes é Ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Pedagoga, mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra.

**Ronaldo Barros é Secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Jovens da ANJPCT-Brasil participam de oficina.

Povos e Comunidades Tradicionais , em diversos momentos da história do Brasil, estiveram à margem das políticas públicas. Pensando nisso, a 3ª Conferência Nacional de Juventude realizará uma etapa exclusiva para esses segmentos, que têm muito a contribuir na etapa nacional. A oficina preparatória aconteceu nesta quinta (24/09) realizada pela Secretaria de Políticas Pela Igualdade Racial (Seppir) e Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), em Brasília.

Ao todo, 30 jovens de diversos estados brasileiros, representando as cinco regiões do país, trouxeram à roda de conversa suas provocações. A ideia é fortalecer o diálogo entre as lideranças juvenis de cada segmento no intuito de ampliar a mobilização de jovens, que muitas vezes ficam exclusos da participação presencial na etapa nacional.

Na ocasião, o secretário nacional de Juventude, Gabriel Medina, expôs a conjuntura do desenvolvimento das políticas voltadas aos jovens. "Estamos juntos aqui para qualificar a juventude para que estejamos cada vez mais empoderados sobre nossa diversidade. É a juventude que vai transformar as realidades do Brasil pra melhor", disse.

De acordo com Ronaldo Barros, secretário de ações afirmativas da Seppir, o Brasil tem se tornado referência para o mundo no desenvolvimento de políticas de igualdade racial e os jovens têm sido fundamentais nesse processo. "É difícil conviver com uma representação negativa do povo negro em todos os espaços, mas a juventude, com a afirmação de suas características, tem contribuído com a nossa identidade", afirmou.

As pautas para os povos e comunidades tradicionais são específicas e muitas vezes não são levadas em consideração em alguns espaços políticos. É o que afirma a jovem Anaildes Souza, 25, membro do Instituto de Mídia Étnica. "Estamos aqui pra dar voz aos povos invisibilizados. Queremos ser reconhecidos e ter nossas questões pautadas", cobrou.

A previsão é de que em dezembro, antes da etapa nacional, que acontece de 16 a 19, ocorra a etapa para Povos e Comunidades Tradicionais. Esta etapa elegerá delegados direto para a última fase da Conferência, que vai ser realizada em Brasília.

Estiveram presentes nessa atividade Jovens de Matriz Africana, Quilombolas e Ciganos da ANJPCT-Brasil.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais

Na ultima sexta-feira (24) representantes da Articulação Nacional das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais - ANJPCT-Brasil participaram de Reunião da Comissão Organização Nacional da III Conferencia Nacional de Juventude, que será realizada pela Secretaria Nacional da Juventude da Presidencia da Republica - SNJ-PR em meados de dezembro de 2015 em Brasília. 
Na ocasião foi discutido como será realizado a chamada Publica para as Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais, etapa que antecede a conferencia nacional. 
A Chamada Publica das Juventudes dos Povos e Comunidades Tradicionais tem a missão de potencializar as diversas lideranças juvenis pertencentes aos diversos segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil. Foi informado o lançamento do App ‪#‎3ConfJuv‬. Agora, através do celular, computador ou tablet, qualquer jovem a partir de 15 anos, de todo o Brasil, pode fazer propostas para a 3ª Conferência Nacional de Juventude, prevista para dezembro, em Brasília.
Outra novidade da #3ConfJuv é o espaço "MANISFESTA" local que será de suma importância para a apresentação cultural, artística e tradicional das Juventudes.

sábado, 23 de maio de 2015

Além de Religião somos mais, somos Tradição.

Falar e ter um discurso voltado para a religião ou intolerância religiosa é não pensar e agir na concepção política. 
Não podemos ter retrocessos nos debates e nas discussões políticas de longos anos por falas voltados apenas na religiosidade.
Nós Povos Tradicionais de Matriz Africana, somos reconhecidos pela Conversão 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT da Organização das Nações Unidades – ONU, e a Republica Federativa do Brasil assinou essa carta, decretando assim e reconhecendo os seus Povos e Comunidades Tradicionais. 
Ao Decreta (Decreto 6.040/2007) que reconhecem os Povos oriundos da diáspora africana, que foram sequestrados e postos nessa terra por três longos séculos como mão de obra escrava. Ser Povos Tradicionais de Matriz Africana e ter um ganho nas políticas publicas de garantia de TERRA/ÁGUA, Segurança Alimentar e Nutricional, garantia da manutenção das línguas, acesso ao meio ambiente, dupla cidadania e garantia do Território.
 Declara-se como Religiosos ou Religiosas de Terreiros, do Santo, Povo do Axé, Religião etc. Deixa-se de fora das políticas brasileiras, planos e leis de incentivo e garantias.
Um grande exemplo é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. Determina nos seus artigos que as Unidades de Conservação ou Parque Naturais que tenham Povos Tradicionais no seu entorno ou dependência podem e devem ser consideradas como de Uso Sustentável.
Não tem como haver no Brasil um plano nacional para o desenvolvimento de religiões. Nosso estado é laico!!!
Mais há no Brasil sim: O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais.
Porque temos que ser chamados de Povos Tradicionais?
O Decreto 6.040/2007 define: Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social e ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
Nos temos um tronco linguístico próprio, alias temos vários (Kiribundo, Kibundo, Kikongo, Yorùgbá, Fongbe, Ewe, Mina). Temos uma soberania alimentar e nutricional, uma forma de alimentação baseada na ancestralidade (uma comida própria). Temos uma relação com a natureza própria, uma relação ancestral com a natureza, e isso é base fundamental para nossa sobrevivência. Temos uma forma de organização política própria, baseado na circularidade. Temos uma relação com a ancestralidade definida. Temos uma cultura própria e particular. Temos um conceito civilizatório Afrocentrado e não os da Europa. Sim! Também temos uma forma de pensar a Religiosidade, mais isso é um ponto entre os diversos termos e conceitos que nos define como Povo Tradicional.

Vodunce Cleyton Araújo - Etemi Lisasi (Povo Tradicional de Matriz Africana Ewe-Fon)
Coord. Nacional da Juventude do FONSANPOTMA

ANJPCT-Brasil. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Lançamento da Frente Parlamentar em defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana

Como parte das celebrações pelos 127 anos da abolição da escravatura no Brasil, parlamentares e representantes da sociedade civil organizada realizaram, na manhã de hoje, o relançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. Com vestimentas e contas que traduzem a religiosidade, a ancestralidade e a cultura do povo negro, os participantes do evento ocuparam o Salão Nobre da Câmara para reafirmar a luta contra a discriminação étnico-racial e em defesa das tradições da população afrodescendente.
“Este é um espaço para o debate das demandas da população negra, para reivindicar respeito e liberdade de culto, para que os povos de matriz africana possam usar suas contas e celebrar sua religiosidade, para que os terreiros sejam respeitados como espaços de transmissão de conhecimento e consolidação da cultura negra. É preciso criar políticas de geração de emprego e renda para as comunidades de terreiros”, enumerou Erika Kokay. “Também teremos a missão de acompanhar e propor iniciativas legislativas que contribuam para o enfrentamento do racismo e a superação da violência institucionalizada contra a população negra, maioria nos sistema socioeducativo e carcerário, e com 75% de jovens negros dentre os mortos de forma violenta neste país”, afirmou a deputada.
Erika Kokay lembra que a frente parlamentar contará com ampla participação da sociedade civil organizada. O Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (FONSANPOTMA) e o Foafro-DF foram parceiros na realização do evento de hoje.

domingo, 29 de março de 2015

Por que a beleza é branca? Representatividade importa?


Perdi as contas de quantas vezes ouvi a frase "bonito como um deus grego".
Obviamente eu não me enquadro no padrão deus grego, este que aprendemos com as revistas, filmes e afins. Mas nem sempre entendi a frase como racista. 

Nos filmes de temática lgbt por exemplo, o casal protagonista sempre é branco, nos livros e contos; mais uma vez brancos e nas novelas nem se fala.
Ser negro no meio gay é difícil, como sabemos bem! 
Tentamos nos enquadrar a todo custo no padrão deus grego, pois nos falta referências.

Lembro que durante os primeiros meses que estava deixando o cabelo crescer, pesquisei imagens na internet de homens com cabelo crespo, tentando imaginar como eu ficaria com black power, e o que encontrei foi um monte de homens brancos de cabelo cacheado. 
Experimente pesquisar por "homens com cabelo crespo" e pasme com os pouquíssimos que aparecem meio à tantas imagens.
A representatividade negra na grande mídia é praticamente nula, acredito que nem preciso falar da representatividade preta gay, né?

Fico pensando hoje em dia, em como a minha caminhada teria sido mais serena se eu tivesse tido referências positivas de gays pretos, assim como os gays brancos têm.
Mas o lugar da grande mídia que nos cabe, é só no pornô interracial, mostrando toda nossa "animalidade" para com as bundas brancas, não é?

Aprendemos a preferir o corpo branco ao negro, e mais sério do que isso, aprendemos também a odiar nossa estética, e tudo isso graças a falta de representatividade. 
Alisam nossos cabelos, afinam nossos narizes, diminuem nossas bocas, mudam até a cor dos nossos olhos, e adivinha! 
Você ainda não se parece com o Brad Pitt! 

Tradução: representatividade importa.

Hoje em Belo Horizonte (MG) meu amigo Anderson F. apresentou sua performance com o nome "quando eu era criança não queria ser a Vera Verão", e aproveito para pontuar que Lafond foi uma grande pessoa e também que não foi e nem é uma referência gay preta negativa, mas por ter sido a única durante tanto tempo, o bullying homofóbico com gays negros sempre martelava no mesmo ponto. 
"Uepa bicha não!" gritavam os alunos no ensino fundamental. 
E com isso, naturalmente criamos uma aversão ao Jorge Lafond e sua personagem Vera Verão durante o ensino fundamental. Ainda bem que hoje conseguimos nos desfazer deste sentimento.

Não ache que ter um personagem negro (sendo ridicularizado na maioria das vezes) em um programa de televisão basta. 
Estou falando de REPRESENTATIVIDADE no sentido mais plural da palavra. 
Quero ver pessoas como eu ou meus amigos ganhando espaços na grande mídia, falando sobre nossos dilemas, dilemas de raça.
Quero me enxergar num poema, quero ser incentivado por filmes e revistas para me amar exatamente como sou.
Eu não quero ser lindo como um deus grego, porque já sou lindo como um deus africano! 

Lanço então a campanha de um álbum colaborativo na página da bicha Nagô no facebook. (https://www.facebook.com/bichanago?fref=ts) 
A ideia é criar o álbum com fotos das bichas Nagô leitoras do tumblr, visando o embelezamento da página e também o fortalecimento da nossa autoestima que é ferida desde sempre.
Vamos celebrar a nossa beleza, e não essa vendida em revistas. 
Enviem as fotos para o email bichanago@gmail.com ou por mensagem no facebook. Vamos desconstruir esses padrões impostos.
O álbum vai se chamar "lindo como um deus africano".


À todas as bichas Nagô, força na caminhada. 


sexta-feira, 27 de março de 2015

CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros é instalada

A Câmara dos Deputados instalou nesta quinta-feira (26) uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o que motiva e quais os custos econômicos e sociais do aumento de mortes e desaparecimentos de jovens negros.
Os homicídios são hoje a principal causa da mortalidade de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil e atingem, em especial, negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas, segundo o Mapa da Violência de 2014.
O estudo também aponta para um novo padrão da mortalidade juvenil: epidemias e doenças infecciosas foram substituídas, ao longo das últimas seis décadas, por acidentes de trânsito e homicídios.
Crime organizado
A CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros será presidida pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ele disse que a comissão vai investigar as estratégias usadas pelo tráfico, por grupos paramilitares e pelas milícias. Segundo ele, é preciso desmontar o crime organizado para evitar mais chacinas.
"Eu espero que essa CPI dê conta de investigar o passado, escrever e exigir punições e, ao mesmo tempo, apontar para um novo Brasil do século 21", disse Lopes.
Maioridade penal
Reginaldo Lopes é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O deputado acredita que o problema da violência no País não é o tamanho da pena, mas o tamanho da impunidade.
"Como pode o Estado, que não fez o seu dever de casa, ter autoridade para reduzir a maioridade penal?”, questionou. “Isso tem de ser debatido, e eu acho que essa comissão tem de dialogar com quem acha que uma proposta que não educa, apenas pune, resolve o problema”, afirmou Lopes.
Composição
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) será o 1º vice-presidente da CPI; a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) será a 2ª vice-presidente; e o deputado Wilson Filho (PTB-PB), o 3º vice-presidente. A relatoria caberá à deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ).
A CPI da Morte e Desaparecimento de Jovens Negros é formada por 22 deputados, entre titulares e suplentes, e terá prazo de seis meses para concluir os trabalhos.